quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

O Zlatan cantor e o Samuel futebolista







sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

oração de outono

Eu te saúdo outono punitivo
sinal desse silêncio que me não permite
desistir de cantar enquanto vivo
Que o vento a névoa a folha e sobretudo o chão
caibam dentro do espaço da minha canção

excerto de Espaço para uma canção de Ruy Belo

terça-feira, 10 de Novembro de 2009



domingo, 8 de Novembro de 2009

notas tarantínicas

Ontem li a terceira das cartas que Rilke escreveu a Franz Kappus. A certa altura diz: "Este é afinal um dos testes mais difíceis para um criador: ter de permanecer sempre inconsciente e ignorante das suas melhores virtudes se não quiser privá-las da sua inocência e virgindade!" A primeira coisa que me veio à cabeça foi o último filme do Tarantino. Lembrei-me da razão pela qual o Jackie Brown, por exemplo, é melhor do que o Inglourious Basterds. Claro que aquilo que Rilke pede ao artista roça o impossível; e claro que Tarantino, passe a expressão, nunca foi virgem. O seu cinema é desde o início e acima de tudo consciência, consciência das influências e das virtudes próprias, e não deixamos de gostar dele por causa disso. Mas o que era antes uma realização assumidamente estilosa tornou-se numa realização assumidamente assumidamente estilosa. Sou mais pela elegância que se perdeu.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

a universidade

A universidade devia ser outra coisa. Falta uma verdadeira cultura de interesse e conhecimento - uma falha que se alarga à sociedade em geral e é particularmente visível na falência do debate político. Parece que a garantia da democracia e o hábito a instituições como a universidade nos tornou gordos e preguiçosos. Escusado será dizer que nesse acomodamento está a tácita perversão das nossas conquistas, já para não falar num sentido mais amplo das conquistas do ocidente. Vamos para o ensino superior porque se vai para o ensino superior. O discurso universitário é o da cerveja. As ideias são como raparigas chatas, com aparelho nos dentes e óculos fora de moda. Viva a vida. De vez em quando fazem-se conferências e isso é fixe porque assim não há aulas. O futuro é um monstro que importa esquecer. Somos muito radicais mas só quanto àquilo que nos sabe bem. A universidade devia ser outra coisa - e eu não devia estar certo quando reconheço a máxima pertinência à ironia que um professor meu costuma lançar quando fala da nossa universidade, referindo-se a "este templo do saber."

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Flores

Eu estou aqui e Salinger vai acertando as palavras por mim. Estar numa ilha é diferente, qualquer coisa perdida entre o verde e o azul. Estou na Fajãzinha, numa casa branca, a antiga casa do padre, uma casa de 1904 onde, segundo o Sr. Miguel, nunca morreu ninguém. A casa tem o seu interior em madeira, não falo em envernizados nem nada disso, falo em madeira, madeira que solta farpas, a madeira seca, a madeira que tem qualquer coisa a ver com o tempo. O vizinho é o Sr. Duarte, o Sr. Duarte das 19 espingardas (nem te peço para tentares imaginar uma pessoa com os seus cento e muitos quilos e outros tantos de idade cuja sua posição de descanso é de cabeça para baixo e rabo para cima). Depois de jantar, por volta da meia-noite, a caminho de casa, passei pelo nº5, a porta do noctívago Sr. Duarte que me falou das suas 19 espingardas. Como é solteiro, as espingardas são como filhas, 9 estão no cofre nº1, outras 9 estão no cofre nº2 e todas as 19 espingardas têm uma Sra. de Fátima gravada na coronha. Dia 28 de Fevereiro foi à caça de coelhos (uma das 4 únicas vezes que foi à caça), contou que deu 4 tiros e matou 2 coelhos, dia 13 de Março matou 1 coelho, dia 2 de Dezembro deu 14 tiros e matou 12 coelhos, e na quarta caçada contou que tinha ido só lá a cima ver as ovelhas da vizinha e quando vinha para baixo matou outros 5 coelhos que não os quis para si. Por fim, desvendando o segredo, contou-me que a 19ª espingarda dorme com ele à cabeceira para assustar os mais malandros. O Sr. Duarte nunca saiu das Flores.

sábado, 17 de Outubro de 2009

com Chillida ando a ter outra conversa






























pequenos objectos para um trabalho:



















quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Quando entra é para ganhar. Baloiça a bacia larga e bamba no centro do corpo de um lado para o outro na engrenagem das pernas gordas dos pés largos e nos ombros escudo e cabeça grande grande - não vale a pena discutir, o que de frágil existe, ninguém conhece, e o que se conhece é estilo - Pá! Pu! Pum!

domingo, 11 de Outubro de 2009

perdão aos histéricos

Era alto, tinha o pescoço ligeiramente inclinado para a frente e usava o tipo de roupa que os durões do liceu não usam. Dirigiu-se a nós à saída do metro: queria saber onde ficava uma associação qualquer. Disse-lhe que viesse connosco. Andámos uns metros em silêncio, o grupo improvável noite fora numa zona feia de Lisboa. Até que lhe perguntei de onde vinha e começámos a conversar. Era de Moçambique e ia para uma festa por causa das eleições - para terem votos, dizia ele, os políticos fazem festas. Nós também íamos para uma festa, outro tipo de festa, e por isso a nossa roupa parecia fora do cenário da nossa juventude e daquele sítio com prédios horríveis. Tinha vivido até há seis meses atrás na Alemanha e gostava mais de estar cá. Lá, dizia ele entre o barulho dos carros, seria impossível estar a falar assim com estranhos no meio da rua. Talvez por causa do clima. Num tom quase de pedido de desculpa dizia que era por ter vivido lá tanto tempo que não tinha dito nada até eu começar a falar. E era bom ouvi-lo, ouvir aquela voz feliz de preto, à beira da estrada e dos prédios doentes. Continuámos a falar e depois despedimo-nos e assim acaba esta história sem história. Perdão aos histéricos. É nesse aparente vazio, conquistado pelo eco libertado por esta figura, que está todo o interesse.

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Oteiza

O Ferro


















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